O Brasil abriga o maior cluster fabricante de bombas e válvulas da América do Sul, concentrado no estado de São Paulo e no Rio Grande do Sul. Essas fábricas fornecem bombas centrífugas, válvulas de gaveta e válvulas borboleta para os setores domésticos de petróleo e gás, mineração e irrigação agrícola. Nestes produtos, o paralelismo das faces dos flanges de grande diâmetro – normalmente de 800 a 1.500 mm – é o fator decisivo no desempenho da vedação.
Durante as avaliações reais no chão de fábrica, surge uma descoberta recorrente: os flanges usinados em tornos de torre manuais frequentemente excedem as tolerâncias de paralelismo de face na produção em lote. Onde os desenhos especificam paralelismo de 0,03 mm, os valores medidos reais normalmente ficam na faixa de 0,06–0,12 mm.
Dados de fixação inconsistentes.O mandril de quatro mandíbulas em um torno de torre manual é operado manualmente e independente por mandíbula, com a força de fixação inteiramente dependente da avaliação do operador. Para o mesmo lote de peças brutas, operadores diferentes – ou o mesmo operador em momentos diferentes – aplicam forças de fixação variadas, resultando em deformação elástica inconsistente da peça durante a usinagem. Para um flange, um componente do tipo disco de parede fina, uma variação de 10% na força de fixação pode alterar de forma mensurável o nivelamento da face.
Perda de dados em fluxos de processos multimáquinas.Um único flange normalmente requer operações de torneamento frontal, diâmetro externo, furo, face de furo de parafuso e ranhura de vedação. Em uma oficina manual, essas operações são frequentemente distribuídas em diferentes máquinas – um torno vertical para a face e o diâmetro externo, uma broca radial para furos de parafusos e um torno motorizado para vedar superfícies. Cada reaperto introduz um novo erro de localização, que se acumula no resultado final do paralelismo de face.
Compensação retardada do desgaste da ferramenta.No torneamento manual, os operadores confiam na inspeção visual e no tato para avaliar a condição da ferramenta. No momento em que marcas de trepidação ou aumento da rugosidade da superfície sinalizam desgaste da ferramenta, diversas peças já podem ter sido usinadas. Essas peças de transição, com qualidade superficial inferior, raramente são inspecionadas peça por peça e frequentemente acabam em lotes aceitos.
Usando o torno vertical CNC de coluna única CK5116A (diâmetro máximo de giro 1.600 mm, diâmetro da mesa 1.400 mm) como referência, o caminho de melhoria para a usinagem brasileira de flanges de bombas e válvulas inclui:
Sistema de fixação rígido.A seção transversal da haste da ferramenta de 30×40 mm representa uma especificação de seção grande entre tornos verticais de coluna única nesta classe. Combinada com a capacidade de carga de 3,2 toneladas da mesa de trabalho, a ponta da ferramenta permanece estável mesmo sob condições de corte interrompido em flanges brutas de material pesado. Isto significa que a própria rigidez do sistema de processo não será uma fonte de desvio de paralelismo.
Todas as operações em uma única configuração.A máquina suporta nove processos — incluindo faceamento, torneamento DI/OD, furação, alargamento e canal — em um único ciclo de fixação. O diâmetro externo, a face, o furo e as superfícies de vedação de um flange podem ser usinados sequencialmente sem liberar o mandril, eliminando o erro cumulativo de transferência multi-máquina comum nas fábricas brasileiras.
Estabilidade a longo prazo do sistema de acionamento do fuso.As engrenagens de acionamento principais são fabricadas em liga de aço 40Cr com processo de acabamento retificado, combinadas com um servo motor CA e uma transmissão contínua de quatro velocidades. Sob operação contínua superior a oito horas, o ruído das engrenagens e a degradação da precisão permanecem controláveis. Para o modo de operação de turno único típico das fábricas brasileiras, esse projeto de acionamento mantém a consistência da capacidade de usinagem de paralelismo ao longo de séries de produção estendidas.